Santo Antônio
Muita gente não sabe. Talvez até
você que me conhece desde não sei quando não saiba disso. Eu gosto de Santo
Antônio.
Ora, gosto sim. Me ajudou muito.
Desde a minha infância. Santo Antônio me apresentou os primeiros amigos com
quem brinquei de pique-tá, pique-cola, pique ajuda, pique alto, pique sem
pique, bandeira, garrafão... Futebol de rua, bola de gude, pião, ferrinho, bafo
e sei lá quantas outras brincadeiras, quantos outros jogos... Acabo de lembrar
o par ou ímpar e a purrinha, aquele dos palitinhos... Claro que eram esses
mesmos amigos que me zoavam quando eu fazia minhas trapalhadas ou falava
bobagem... Falar bobagem... Até hoje sou muito bom nisso...
Meus amigos de infância... Alguns
não estão mais entre nós... Dos que ficaram quase todos são vovôs aposentados
contadores de histórias, barrigudos, grisalhos ou de cabelos completamente
brancos que nem algodão... Ou carecas mesmo. Alguns têm que tomar um monte de
remédio pra regular pressão, colesterol, coração, artrose, artrite, diabete ou
sabe-se mais o quê... Ou não... Deve ter algum que ainda joga bola, corre, faz
musculação, dança, sei lá...
Veio a adolescência, e foi Santo
Antônio que me apresentou as primeiras meninas que eu amei em segredo e com as
quais muito sonhei... Nunca namorei nenhuma delas por causa da tal da timidez,
que sempre me impediu de chegar perto e dizer na lata...
- Aê, quer namorar comigo?
Santo Antônio ajudou muito na
formação do meu caráter. Foi Santo Antônio que por muito tempo abrigou minha
família, as famílias de muitos de meus parentes e de muitos de meus amigos...
Nos tempos de vacas magras ou das vacas mais magras ainda...
Enfim, devo muito a Santo Antônio, o bairro onde cresci e que sempre me acolheu
todas as vezes que precisei...
Deus abençoe você. Deus salve o Brasil.
P.S.: O versículo escolhido talvez não tenha nada a ver com o texto, mas foi o único em que consegui pensar para me referir à minha mocidade.
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