Conselhos
Decocional 8 de maio de 2023
Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam.
15 de abril de 1979. Domingo de Páscoa. Não vou ganhar nem dar ovos ou coelhinhos de chocolate.
Hoje faço 25 anos. Não vai ter festa à noite, mas estou recebendo as felicitações de amigos e parentes. Não gosto, mas é só uma fase: vai passar. Tudo passa... "Até a uva passa"... É um trocadilho que ainda vou aprender. Não sei quando. Talvez quando tiver quase 50...
Por ora, lembro Martinho da Vila...
"Felicidade... Passei no vestibular,mas a faculdade é particular..."
Chama-se FASPA – Faculdade São Paulo Apóstolo, ali em Todos os Santos, bairro entre o Méier e Engenho de Dentro, que a gente chama de "Galpão"...
Não sei explicar por que escolhi Administração em vez de Letras... Mil cruzeiros de mensalidade, e no segundo semestre vai aumentar pra Cr$1.400...
No ano que vem vou trancar matrícula. No outro, passar pra Letras, na UERJ...
Dois fatos curiosos deste ano, tenho pra dividir com você...
Um cara da minha idade, que eu só vi uma vez e não lembrava, me encontou no trem. Esteve lá em casa pra conversar com meu pai. Não sei sobre o que falaram, mas ele disse que, naquele dia, teve uma intuição: que eu é que ia aconselhar ele... Não entendi nada... Fomos a um bar tomar umas Antarcticas, e eu fiquei só ouvindo, mas ele ficou satisfeito, como se de mim tivesse ouvido sábios conselhos que eu nunca dei...
Algum tempo depois, lá estava eu no mesmo bar... Desta vez, pra beber umas Antarcticas e ouvir um sujeito 29 anos mais velho... Um que também precisava dos "meus conselhos"... Mas, que nem o outro, só falou, falou e falou... Eu não disse nada... Ele ainda me agradeceu... Nunca vou entender...
"Tenho 25 anos de sonho e de sangue e de América do Sul..." E uma timidez que me acompanha desde sempre, mas um dia vamos nos divorciar... Não sei por que não vivo em busca de alguém que me empreste os ouvidos e um ombro, ainda que talvez me possa fazer muito bem... Deve ser porque, nas madrugadas, despejo tudo no papel, em prosa e verso, ou em garatujas...
Muitos dos meus escritos serão emprestados e não devolvidos; outros, perdidos ou esquecidos em fundos de gavetas... E só daqui a não sei quanto tempo é que vou ter um pouco mais de zelo com minha produção... Antes disso, vou ser artesão...
Por ora e por hoje, é só. Obrigado pela paciência...
Oremos...
Ouve, Senhor, nossos silêncios... Tem misericórdia do teu povo. Salva nosso povo e nosso país.
Decottignies
Você já orou pelo Brasil hoje?
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