Conexões

Há no espaço e no tempo tanto vazio que poderia e não foi preenchido devido ao vazio presente na vida da gente... Tanto vazio gerado pelo medo de falar errado, usar a palavra errada, ocupar o lugar errado, adotar palavras e atitudes erradas. Medo de errar, de percorrer um vale escuro, medo do novo, do desconhecido, medo do silêncio... Medo do ruído...
Já houve tanto erro cometido no caminho por gente que não teve medo de errar, que não quis deixar de acertar por medo de errar... Gente que pagou o preço, errou, errou, errou... Até acertar e beneficiar quem veio depois e quem não ousou se arriscar...
Não fosse essa gente tanto errar, muita coisa deixaria de ser criada, muita gente deixaria de nascer, muita gente deixaria de crescer... Não há como saber... O que se faz é aproveitar o resultado do trabalho dessa gente que ousou preencher os vazios adiante, cruzar as fronteiras do desconhecido, navegar por mares nunca antes navegados, apesar de tudo que se dizia sobre o tal desconhecido: monstros, dragões e sabe-se mais o quê...
O texto está, sim, um tanto confuso, difícil de entender como uma trilha escura chamando a desbravar o desconhecido e colocar pra funcionar a chamada inteligência humana, porque a artificial – ainda – não dá conta... 
Há muito espaço e tempo vazio na vida de tanta gente inteligente que só precisa, por um tempo, se desconectar do virtual e voltar a interagir de verdade com o que é natural, com o chão de terra, com o vento que despenteia, com o calor que aquece, com o frio que resfria, com a nuvem de chuva de água que molha, com as demais redundâncias presentes em volta e adiante...

Saindo, outro dia, de um mercado, ouvi uma voz me chamar. Voltei o olhar pra ver quem era. Era um amigo que eu não via desde não sei quando, nem ele... Uns dez anos. Estranhamos, um do outro, o que o tempo fez no rosto, nos cabelos, no corpo. Ambos mais velhos, mais desgastados, enrugados, mais cheios de limitações... E também com mais histórias pra contar, mais pra saber um do outro...
Durou cerca de cinco minutos o reencontro, e não colocamos o papo em dia, não falamos de aposentadoria, do que estamos fazendo ou deixando de fazer, não dissemos quem morreu, quem nasceu, quem fez isso, quem fez aquilo e tudo mais que se fez ou se deixou de fazer... E antes do abraço de despedida, usamos a famosa frase clichê:
- Vamos marcar...
E não marcamos nada. Não marcamos nada naquele instante em que não estávamos conectados ao mundo virtual... Nem marcamos nada até agora, dias depois...

Oremos...
Que a gente volte a se conectar com o SENHOR. E que o SENHOR salve o nosso Brasil. Em nome de JESUS. Amém.
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Decottignies

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