Fios desencapados

 

Conversar com algumas pessoas, pra mim, é mais difícil do que com outras. Nem sempre me dou conta disso e acabo indo com os burros n'água. Porque conversar com certas pessoas é que nem mexer em fios desencapados ou interagir com siris. 
Há pessoas que se mantêm atrás de uma trincheira, numa retranca, nunca se desarmam. Por pouco, por qualquer coisinha de nada, se eriçam, arregalam os olhos, fazem tromba e às vezes começam aquela verborreia que só vai acabar quando o sargento Garcia prender o Zorro... Tem que ter um tato sobrenatural pra conversar com tais criaturas. Eu deveria ter, mas não tenho. Me fazem lembrar um esquete com Paulo Silvino, em que ele sempre terminava dizendo:
- Não espera eu molhar o bico...
Quem lembra?
Outras não ficam na defensiva; pelo contrário, atacam o tempo todo, não deixam ninguém concluir um raciocínio, não cedem a palavra, não cedem a vez, não querem saber o que o outro tem a dizer... Acreditam que a melhor defesa é o ataque... Fazer o quê...! Com essas, também, eu deveria ter mais tato, mais paciência. Não tenho.
O que eu tenho é telhado de vidro. Não sou perfeito. Também me apresso nos julgamentos e tiro conclusões erradas. Às vezes, também fico entrincheirado; às vezes, também atropelo, também roubo a fala do interlocutor. Inadvertidamente ou intencionalmente.
Inadvertidamente é menos frequente. Mas intencionalmente faço mesmo pra ver como essas pessoas se comportam bebendo do próprio remédio... Algumas se veem num espelho e dão o braço a torcer, outras me crucificam...
Lembro agora um verso de uma música de Roberto e Erasmo Carlos. O divã...
- Por isso, eu venho aqui...
Não venho aqui pra fazer este espaço de divã de psicanalista. Nada disso. Reconheço o valor desses profissionais. Venho aqui porque aqui ninguém me interrompe enquanto eu digito. Ninguém, vírgula... Há interrupções sim; da tosse, do cansaço, da coceira no nariz, da vontade de tomar um café ou mesmo, sei lá, de uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer... Ou uma ideia que pinta de repente e ajuda a incrementar o texto, por que não...?
E eu gosto, às vezes, de imaginar que o Criador me ajuda na minha falta de ideia, de paciência, de tato... Nas minhas conversas com fios desencapados, com um siris, com pitbulls ou com papagaios... Estando aqui digitando ou em outro lugar, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê...

Oremos... 
Ah, SENHOR... Me ajuda nisso. As pessoas não têm culpa se eu não percebo, antes, se estou atravessando um caminho seguro ou um campo minado, se estou lidando com alguém que sabe ouvir e falar ou com uma vitrola... Também preciso fazer autocrítica, nem sempre é fácil conversar comigo, às vezes nem eu mesmo consigo...
E antes que eu me esqueça, vem, SENHORem socorro da gente. Tem, misericórdia de nós. Salva o nosso povo, o nosso Brasil. Em nome de Jesus. Amém...
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Decottignies

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