Na sarjeta
Se lembra de Joaquim, o cara que foi assaltado quando tava indo de Jerusalém pra Jericó? E foi socorrido por um samaritano?
Então... Algum tempo depois, ele tava andando numa rua qualquer de uma terra mais distante do que Cafarnaum fica de Jerusalém e encontrou, caído na sarjeta, um rapaz que ele achou que tava morto. Só que não...
– Ei, rapaz... Acorda...
– Hein? O quê?!
– Te vi caído aqui... Achei que cê tava morto. Inda bem que tá vivo... Posso fazer alguma coisa por você?
O rapaz começou a se recobrar lentamente e quase não acreditou que alguém queria ajudar ele...
– Talvez, amigo. Eu trabalho cuidando de porcos numa fazenda perto daqui. Tava indo pra lá, mas acabei desmaiando de fome. Cê tem um pedaço de pão aí?
Tinha. Ajudou o rapaz a levantar e o levou até uma hospedaria, que nem o samaritano fez com ele. Era hora do rango. Pagou-lhe uma refeição... Sim, almoçou também.
Passados alguns instantes, o moço relatou que era filho de um ricaço, mas entrou numa de pedir adiantado... Ah, cê já conhece a história dele... Vou colocar, em destaque, um Clique aqui pra você conferir...
– Então, amigo... Qual é seu nome mesmo?
– Filho mais novo...
– Como assim???
Sim, ele é o Filho mais novo, mas pode chamar ele de Gerson...
– Opa, Gerson! Gostei!
– Valeu, narrador... Então, Gerson... Posso te ajudar em mais alguma coisa?
– O senhor já fez até mais do que devia, seu...
– Joaquim. E por favor, não precisa me chamar de senhor...
– Então, Joaquim... Eu fico imensamente grato e espero que Deus te recompense, porque por ora eu não tô podendo não...
– Relaxa, amigo. Eu sei como é isso... Então... Quer que eu te leve até a fazenda onde você trabalha?
– Agradeço, amigão, mas não boto mais meus pés lá por nada. Eu vou é voltar pra casa do meu pai. Vou pedir pra ele me perdoar e me tratar que nem um de seus empregados...
– Isso mesmo! Voltar pra casa é uma boa decisão. Mas eu acho que ele vai te tratar é como um filho mermo... Até imagino ele te recebendo, te abraçando, botando um baita dum anel no seu dedo e fazendo o maior furdunço pra comemorar o seu retorno...
– Será?
– Quer saber? Eu até aposto que alguém ainda vai escrever sobre isso. Espero um dia te encontrar de novo, e aí você me conta como foi...
Os olhos de Gerson brilhavam que nem diamantes, enquanto ele ria e, ao mesmo tempo, chorava que nem criança...
– Joaquim, Joaquim... Você não existe...!
– Eita! Falou que nem Baruc...
– E quem é esse Baruc?
– É um amigo meu, você não conhece não...
– Então tá, então!
Saíram juntos da hospedaria, rindo, contando causos e trocando experiências de vida.
Gerson aceitou alguns trocados, um pouco de provisões para o caminho e carona para os limites daquele cafundó.
– Foi um grande prazer te conhecer, Joaquim. Espero um dia poder te retribuir a gentileza.
– Igualmente, Gerson. Quanto a me retribuir, bora combinar o seguinte...
– O quê?
– Quando você puder, faz por outra pessoa que precisar. E eu creio que o SENHOR, de algum jeito, vai me fazer saber...
– Combinado, então... Gentileza gera gentileza...!
– Opa! Gostei disso! "Gentileza gera gentileza"... É de sua autoria?
– Não. O autor ainda vai nascer daqui a muitos anos...
– Eita! Comé que cê sabe?
– Não sei como eu sei... Só sei que eu sei...
Riram de novo. Muito. Trocaram abraços e se despediram.
– Deus te acompanhe, Joaquim!
– Vai com Deus também, Gerson!
E se separaram...
E como foi a volta de Gerson pra casa, cê já leu, né? Tá no link...
Oremos...
Livra-nos, SENHOR, de trocarmos a tua presença por futilidades e o teu alimento por lavagem pra porcos... E salva, SENHOR, o nosso Brasil! Em nome de Jesus, Amém!
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Decottignies
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