Ouro, incenso e mirra - parte 2
José acorda mais calmo e de muito bom humor. Até resolve abrir a carpintaria mais cedo. Mal começa a trabalhar, já recebe uma visita.
– Shalom, José. Posso entrar?
– Shalom, Josias. Claro que pode. Em que posso ajudar?
– Vim te entregar isto. – Estende a José um saquinho cheio de moedas.
– Eita! Que dinheiro é esse?
– Meu pai que mandou trazer. É pelo trabalho que você fez lá em casa na semana passada.
– Deve haver algum engano... Ele já me pagou pelo serviço...
– Eu sei. Mas ele disse que você cobrou menos do que deveria...
– Olha, Josias, pode me dizer a verdade. Cê sabe que eu sempre cobro o preço justo...
– Então... Ele ficou tão satisfeito com o trabalho que resolveu te pagar mais...
– Tem certeza?
O rapaz fica meio reticente... Coça a cabeça...
– Na verdade... Ele quer te dar um presente de casamento, mas não sabe o que comprar...
Os dois se entreolham e caem na risada...
– Tudo bem, então... Vou aceitar... Diga a ele que fico muito agradecido...
– Direi... Mas... E o casamento? Quando vai ser?
– Daqui a alguns dias...
No fim daquela tarde, José voltou a se encontrar com Maria. Ela também já havia se acalmado depois da conversa que tiveram no dia anterior...
– Shalom, Maria. Como está você?
– Shalom, Zezinho. Bem, obrigada... E você?
– Melhor do que eu mereço...
– Tô vendo... Parece até que viu passarinho verde...
– Vi, sim. No dia em que te conheci...
– Hummm... Quem te viu, quem te vê! Nem parece o Zé que saiu daqui ontem...
– Tem razão. Fui dormir angustiado, pensando que tinha te perdido... Até falei pra mim mesmo: E agora, José?
Ela fica em silêncio. Quase chora. Não sabe o que dizer...
– Me desculpe por ontem... Fui muito grossa com você...
– Não... Eu é que peço desculpas... Te julguei mal... Devia ter acreditado em você... – Faz uma breve pausa e continua... – Maria, Maria... Você é o som, é a cor, é o suor, é a dose mais forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta...
– Ai, que lindo! É de sua autoria?
* Não. Nem sei de quem é... De repente, me veio à cabeça...
– Ah, tá... E foi isso que te fez acreditar em mim? Ou foi um passarinho que te contou?
– E eu tenho cara de quem conversa com passarinhos?
– Tem sim...
– Para com isso... Não tenho não... Mas alguém me contou sim... Eu tive um sonho, e um anjo me explicou tudo...
Maria é tomada por um misto de surpresa e alegria...
– Peraí... Me explica de novo o que aconteceu... Diga a verdade, seja qual for...
– Ih! Tá falando que nem eu ontem!
Nesse ponto, os dois foram tomados por um ataque de riso que interrompeu a conversa...
Sim, depois ele contou o sonho pra ela... Tim-tim por tim-tim... E ela acreditou, né? Não tinha motivo pra duvidar...
O que aconteceu depois... Depois eu conto...
Oremos...
Faz-nos, Senhor, compreender e aceitar a tua boa, perfeita e agradável vontade... Salva, Senhor, o nosso povo e o nosso amado Brasil... Em nome de Jesus. Amém.
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Decottignies
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