Onésimo

Depois de encerrar a série de textos “Ouro, incenso e mirra”, sobre as andanças da Sagrada Família, fui desafiado a escrever algo sobre Onésimo, o escravo fujão. Fujão e ladrão.
Mas travei. Estagnei. Não consegui tecer comentários. Ao mesmo tempo, fiquei devendo o texto a mim mesmo. E me lembrei de um professor de Química do tempo em que estudei no antigo Externato São Judas Tadeu, que mudou de nome para Colégio Santa Mônica.
E você, claro, quer saber o que tem a ver o escravo fujão com o professor de Química. O nome. O professor Onésimo ensinava uma das subdivisões da matéria, que a gente estudava no curso técnico. Não lembro se era Química Qualitativa ou Quantitativa.
Vamos combinar, Onésimo não é um nome corriqueiro que nem João, Paulo, Pedro, Manoel, Luiz, Carlos, Marcelo... ou mesmo que nem um desses nomes estrangeiros que os brasileiros colocam nos seus filhos: Jefferson, Wilson, Marlon ou Washington...
Eu soube antes por uma colega que o professor Onésimo era crente. É coisa de crente abrir a bíblia e botar o dedo no meio de uma página qualquer, e onde o dedo bater, se tiver um nome personativo, pronto, será esse o nome da criança. Daí ter mães e pais que registram filhos com nomes como Mateus, Isaías, Davi, Daniel... Até aí, tudo bem... Mas também tem Sadraque, Mesaque, Abede-Nego, e por aí vai...
Voltando ao professor Onésimo. Primeiro dia de aula, ele se apresentou, e um colega perguntou se Onésimo era o sobrenome dele... Pra quê!!! O homem só não fez um baita mimimi porque tinha uma certa classe. Mas não gostou não... E tentou convencer a turma que Onésimo era um nome pra lá de maneiro... Não era que nem “Um Dois Três de Oliveira Quatro”... Chegou a citar um certo “Diofrildo”, também professor, que mais tarde eu vim a conhecer, na UERJ... E um certo “Telúrio”, sugerindo que os pais devem ter tirado o nome dele da Tabela Periódica...
Fato é que esse Onésimo da Bíblia era escravo. E consta que teria roubado algo de Filemomseu dono e amigo do famoso Saulo de Tarso, autor das epístolas bíblicas. Sim, claro, Paulo, o próprio...
Depois de aprontar a treta, Onésimo deu no pé, se escafedeu... Não sei como, acabou topando com Saulo, por quem foi ajudado e evangelizado, vindo a se tornar cristão... E Saulo (Paulo) o enviou a Filemom... Olha que fria! Mas ao que parece tudo acabou em pizza... Filemom deve ter aceitado a ideia de Saulo e o perdoou... Parece, também, que mais tarde Onésimo veio a ser até apóstolo... É isso mesmo? Não sei, confirma aí pra mim. Se não foi assim, me corrija...
Agora sim, falando de escravos, fujões, escravos-fujões e ladrões, parece que o tal do Onésimo, que lesou o tal do Filemom, também tem algo em comum com muitos de nós... Ah, NÃO TEM NÃO? Cê acha que não??? Pois eu acho que tem sim!
Melhor parar por aqui mesmo... Deixa quieto... Deus tá vendo... 
Oremos...

Deus salve o nosso Brasil...

Decottignies

P.S.: Desculpe a figura... Parece não ter nada a ver. Não encontrei melhor. Ando meio sem paciência...

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