Depois

Dias atrás, aqui no condomínio, vi um grilo morto e pensei que fosse o gafanhoto que eu tinha fotografado, pousado no que restou de um girassol. 
Não era ele, era um pouco menor e, como já não tinha nem um tantinho assim de vida, estava cercado de formigas...
Logo depois vi, no mesmo resquício de girassol, imóvel, mas ainda com vida, o tal gafanhoto, que devia ser, na verdade, um grilão de todo tamanho, que depois desapareceu. Não sei se ainda era vivo. Acho que não... Pode ter virado almoço de algum passarinho; ou, sei lá, provisão de formigas para o inverno...
Gastei um pouco de tempo refletindo sobre a curta vida dos insetos e pensei em compor um decocional pra discutir isso...
Tentei contar pra minha melhor amiga, mas não consegui, como aconteceu tantas vezes antes... Ela estava agarrada no celular. Vendo algo importante, claro, coisa do trabalho dela, e eu, como dessas tantas outras vezes, não percebi... Comecei, mas não pude continuar...
Peraí, me conta isso depois... – ela disse...
Me calei e, infantilmente, me permiti ficar chateado, sem razão alguma, não com ela, comigo mesmo, por ainda não estar acostumado... Mas não durou mais de um segundo... Aceitei deixar pra depois... Depoispuxei pela memória e decidi que não era o tipo de relato que ela julga interessante... Deixei pra lá. Esqueci...
Resolvi, mais tarde, dar mais uma oportunidade ao causo. Digitei e enviei pelo atizape...
Se ela leu, não sei, acho que não... Sempre ocupada demais com algum trabalho que costuma trazer pra casa...

Como acho que cê tá com tempo, vou te contar outros dois causos...
Numa reunião de célula, um crente, meio que brincando, reclamou dos pernilongos. Disse que não gostava deles, e outro falou que não eram pernilongos, eram pernilongas. E que elas gostam dele, gostam de todo mundo. Os machos ficam em casa, lendo jornal, mexendo no celular ou vendo televisão, e elas é que saem pra trabalhar, pra sugar nosso sangue e tocar violino...
Aí uma senhora achou que esse outro estava fazendo comentário machista, desmerecendo o trabalho das mulheres, quando, mesmo de um jeito patusco, ele estava fazendo exatamente o oposto...
Teve uma irmã que tentou ajudar, mas não deu em nada, a outra se manteve firme no seu posicionamento...
Sei de um mondigente que faz o mesmo. Se for parar pra relatar, tem mais, muito mais...
Fim.

Peraí, não vai embora agora não, tem só mais um bocadinho de paciência comigo... Acho que deste você vai gostar...
Prestenção...
A mulher voltou pra casa trazendo uma baita duma obra de arte. Moderna. Em preto e branco. Desembrulhou e mostrou ao marido, que não entendeu o que estava ali retratado e perguntou:
– O que é? 
– É um quadro...!
Ele conseguiu conter a vontade de rir... 
– Ah, tá... Achei que era uma escultura de Michelangelo... Ou do Aleijadinho...
Mas – acredite! – ela não percebeu que ele estava sendo irônico...

No dia seguinte, ela chegou e encontrou ele sentado no sofá, vendo uma série da Netflix. Olhou a cena, ficou curiosa, quis saber do que se tratava...
– O que é isso?
– É uma TV Samsung de 60 polegadas...
Foram as últimas palavras dele...

Descanse em paz...

Obrigado pela paciência...

Oremos...
Deus te abençoe.
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Decottignies

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