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A gente se entende...

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Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor... Efésios 4:1 e 2 É conversando que a gente se entende, dizem. Conversando, a gente também se desentende, digo eu. Porque já muitas vezes vi isso, muitas vezes aconteceu comigo. Muitas vezes, não aceitei argumentos, outras não foram aceitos os meus. E assim vamos vivendo, nos entendendo, nos desentendendo, reconhecendo os equívocos, pedindo desculpas e desculpando. Ou nos agarrando ao orgulho, não dando o braço a torcer ou não desculpando quem reconheceu o erro e pediu desculpas... Entendimentos e desentendimentos acontecem entre terráqueos que falam a mesma língua. Há os que percebem a comunicação além dos códigos convencionais, além do que é verbalizado ou escrito, além dos gestos e além dos silêncios. Me permita contar só um fragmento de um pequeno causo, pra ilustrar... O mineiro bonit...

Tantas outras coisas...

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  Dias atrás, numa rede social , me deparei com a pergunta de um internauta que suponho ser meio sem noção. O sujeito, se dizendo leigo no assunto, queria saber em que passagem das Sagradas Escrituras é dito que Jesus usava barba... Pra esse filósofo contemporâneo e pra muita gente, tudo mais pode ficar em segundo plano. Saber se o Mestre se barbeava ou não é de fundamental importância para se entender a História da Humanidade... Supondo-se que sim, que ele se barbeava... Devia ter em casa navalha, lâminas de barbear, um prestobarba ou mesmo um barbeador elétrico... Devia ter uma barba cerrada que nem a de Tony Ramos e se barbeava três vezes por dia: antes do café da manhã, antes do almoço e quando ia dormir. Talvez até frequentasse um salão ao lado da carpintaria onde trabalhava antes de ir ministrar suas preciosas aulas na sinagoga. Devia usar o cabelo curtinho que nem o de um general do exército. Claro que não li isso nas Escrituras. É especulação... Assim como não li que e...

O canastrão

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  O trecho bíblico acima é parte de uma estratégia usada pelos gibeonitas para enganar Josué e os filhos de Israel. Os caras se vestiram de andrajos, colocaram pão velho nos bornais e se fingiram de coitadinhos... Josué caiu direitinho e fez aliança com eles. Como era um homem de palavra, se viu obrigado a proteger os malandros... Não tinha mais jeito.  Costumo passar direto e nem olho na lata de alguns espertalhões aqui no bairro... Mas basta uma distração, e a gente acaba dando asa a cobra. Aconteceu ontem, num hortifrutti na Estrada Intendente Magalhães ... Eu já ia passar no caixa, quando fui abordado por um rapaz que tá sempre por ali, me cumprimenta, me chama de Tio e uma vez até elogiou meu cabelo... Desta vez ele viu a oportunidade perfeita e aproveitou... - Tio, o senhor pode pagar pra mim um negócio de seis reais? Sem saber e sem perguntar o que era, concordei. Disse que pagaria, supondo que fosse algo pra comer... Só que não... Enquanto ele foi pegar o tal negócio...

Onésimo

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Depois  de encerrar a série de textos “ Ouro, incenso e mirra ”, sobre as andanças da Sagrada Família , fui desafiado a escrever algo sobre Onésimo , o escravo fujão. Fujão e ladrão. Mas travei. Estagnei. Não consegui tecer comentários. Ao mesmo tempo, fiquei devendo o texto a mim mesmo. E me lembrei de um professor de Química do tempo em que estudei no antigo Externato São Judas Tadeu , que mudou de nome para Colégio Santa Mônica . E você, claro, quer saber o  que tem  a ver o escravo fujão com o professor de Química. O nome. O professor Onésimo ensinava uma das subdivisões da matéria, que a gente estudava no curso técnico. Não lembro se era Química Qualitativa ou Quantitativa . Vamos combinar , Onésimo não é um nome corriqueiro que nem João, Paulo, Pedro, Manoel, Luiz, Carlos, Marcelo ... ou mesmo que nem um desses nomes estrangeiros que os brasileiros colocam nos seus filhos: Jefferson, Wilson, Marlon ou Washington ... Eu soube antes por uma colega que o professor...

Ouro, incenso e mirra – Parte 10

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A sagrada família teve que passar um tempo no Egito. Até a poeira assentar. Assentou. Jesus, Maria e José, então, puderam retornar a Israel. E foram morar em Nazaré... Mas todo mundo sabe disso... O que a gente não sabe é o que não está relatado nas escrituras. As pessoas especulam... Quando fixaram moradia em Nazaré, Jesus devia ter o quê? Seis, sete, oito anos... Não sei... Também não sei qual era a idade de José e Maria. Supõe-se que ele já devia ter mais de quarenta; ela, uns vinte e poucos... Especulação minha... Sendo quem era, o menino Jesus não dava um pingo de trabalho. Talvez, de quando em vez, a mãe tentasse ensinar algo a ele, e ele respondia “Eu já sei”... Talvez também quisesse alertar ele sobre algo, e ele dizia “Deixa comigo”... Por isso, creio, quando foram à Festa da Páscoa em Jerusalém, os pais relaxaram e não perceberam que o menino de doze anos ficou em Jerusalém... Acharam que estava entre os demais viajantes ou em casa de parentes... Só que não... Três dias depoi...

Ouro, incenso e mirra – Parte 9

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Quantos anos viveu José, o sonhador que chegou a governar o Egito...? Cento e dez, diz o texto bíblico... E nunca se esqueceu da aliança de Deus com Israel.  E quantos anos viveu o outro José,  também sonhador,  que não governou o Egito, mas também lá morou...? Não sei. Saberia você? Então diz aí... Como vivia o filhinho predileto do papai Jacó antes dos infortúnios? Vivia sonhando, talvez tirando onda com a cara dos irmãos, relatando seus sonhos – com o Sol, a Lua, onze estrelas... – e provocando deles aquela inveja toda... Por isso, forçaram ele a comer todo aquele jiló... Sim, são conjeturas, especulações... Pode ter sido bem diferente... Mas "vai que", né? E como vivia esse outro Zé? O carpinteiro, esse mesmo... O que da vida ele queria, o que esperava, o que pra si sonhava? Saberia você? Diz aí... Conjeturando de novo, digo que tudo que ele queria era casar com Maria, ter com ela uma família, continuar seu legado... Talvez sonhasse com momentos felizes, cantar e c...

Ouro, incenso e Mirra – Parte 8

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A distância entre Belém da Judeia e o Egito não é lá grande coisa. Dá pra fazer de carro em algumas horas; de trem ou de ônibus, em um pouco mais, e de avião, em menos de uma hora... Isso, nos dias de hoje, claro.  Mas tenta pensar numa viagem dessas feita há dois mil anos, por um famoso casal – com um filho de uns dois anos – tendo que partir às pressas no meio da noite... Complicado... Supondo que, no caso de ainda terem parte do ouro que receberam dos sábios, podem ter comprado ou alugado um bom camelo, porque esses bichos não demandam emplacamento nem taxas... Ou, na falta de recursos, podem ter ganhado ou emprestado de alguém... Certamente, ao longo da jornada, fizeram parada em um e outro "Graal" do deserto pra pernoitar e se alimentar. E também pararam pra reabastecer de água e comida o animal, que não gastava pneus, bateria, radiador, essas coisas. E não havia, na época, puxadores de camelo... Ou havia...? Me diz você... Porque se não havia, o bichinho podia ser deixa...