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Santo Antônio

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Muita gente não sabe. Talvez até você que me conhece desde não sei quando não saiba disso. Eu gosto de Santo Antônio. Ora, gosto sim. Me ajudou muito. Desde a minha infância. Santo Antônio me apresentou os primeiros amigos com quem brinquei de pique-tá, pique-cola, pique ajuda, pique alto, pique sem pique, bandeira, garrafão... Futebol de rua, bola de gude, pião, ferrinho, bafo e sei lá quantas outras brincadeiras, quantos outros jogos... Acabo de lembrar o par ou ímpar e a purrinha, aquele dos palitinhos... Claro que eram esses mesmos amigos que me zoavam quando eu fazia minhas trapalhadas ou falava bobagem... Falar bobagem... Até hoje sou muito bom nisso... Meus amigos de infância... Alguns não estão mais entre nós... Dos que ficaram quase todos são vovôs aposentados contadores de histórias, barrigudos, grisalhos ou de cabelos completamente brancos que nem algodão... Ou carecas mesmo. Alguns têm que tomar um monte de remédio pra regular pressão, colesterol, coração, artrose, artr...

Namorar

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Década de setenta. Século passado. O Colégio Santa Mônica ainda era Externato São Judas Tadeu. Em vez de ensino fundamental e ensino médio, era primeiro e segundo grau. José Carlos, professor de Português, conta para uma turma de sétima série quando emprestou de um colega uma gramática difícil de conseguir nas livrarias. Leu, estudou e fez bom uso da gramática emprestada, mas pra não perder a amizade do colega, prometeu devolver depois de mais alguns dias. Tipo “me deixa ficar com ela só mais um pouquinho” . O colega deixou. Nos dias que se seguiram, José Carlos nunca ia dormir sem folhear e ler a gramática emprestada e aproveitar pra memorizar quanto pudesse do seu conteúdo pra aproveitar em suas aulas... - Antes de dormir, eu ficava namorando a gramática ... Dá até pra imaginar José Carlos deitado de lado morrendo de sono e olhando para a gramática na mesinha de cabeceira... Por fim, devolveu a gramática ao colega. Se conseguiu encontrar outro exemplar em alguma livra...

Pra mim fazer

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Demorou pra mim aprender a falar e andar. Quanto tempo, não sei. Mas pra mim aprender a ler e escrever, acho que demorou dois anos. Tipo, eu comecei a frequentar escola aos seis e aprendi aos oito. Demorou pra mim aprender um mondicoisa. E ainda tem um mondicoisa que eu preciso aprender. E mais um mondicoisa que eu preciso desaprender...  A esta altura da leitura, eu sei que você, se for uma dessas pessoas que têm gastura de quem usa “mim” antes de infinitivo, já deve ter sentido dor nos ouvidos só de me imaginar falando assim, mesmo sabendo que eu sou professor... “Credo, comé que pode um professor falar desse jeito? Eu hein!” E tem sempre um jacaré que diz que “mim não faz nada” . Outro diz que falar assim é coisa de índio... Na boa? Nunca conversei com um pele vermelha , mas acho que essa história de dizer que eles falam assim é conversa fiada. Ah, sim, posso estar errado... Sou muito bom nisso, aliás... Claro que, em sala de aula, eu não vou ensinar ninguém a falar ...

Depois

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Dias atrás , aqui no condomínio, vi um grilo morto e pensei que fosse o gafanhoto que eu tinha fotografado, pousado no que restou de um girassol.  Não era ele, era um pouco menor e, como já não tinha nem um tantinho assim de vida, estava cercado de formigas... Logo depois vi,  no mesmo resquício de girassol, imóvel, mas ainda com vida, o tal gafanhoto, que devia ser, na verdade, um grilão de todo tamanho, que depois desapareceu. Não sei se ainda era vivo. Acho que não... Pode ter virado almoço de algum passarinho; ou, sei lá, provisão de formigas para o inverno... Gastei um pouco de tempo refletindo sobre a curta vida dos insetos e pensei em compor um decocional pra discutir isso... Tentei contar pra minha melhor amiga, mas não consegui, como aconteceu tantas vezes antes... Ela estava agarrada no celular. Vendo algo importante,  claro,  coisa do trabalho dela, e eu, como dessas tantas outras vezes, não percebi... Comecei,  mas não pude continuar ... – Peraí, m...

Dia da angústia

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Encerro aqui minha série de comentários sobre o álbum Tanto amor , da missão Vencedores por Cristo . O advérbio de tempo quando aparece, curiosamente, na primeira  –   Quando a glória  –  e na última música  –   Dia da angústia . Coincidência? Não sei. Pode ter sido de propósito. Na primeira, o foco é a glória do Senhor sendo vista por toda vista, em todo lugar ... E se perdendo de vista, como as águas cobrem todo o mar ... Não consigo imaginar como será, mas penso que será indescritível. E lindo! Esta última chama a atenção para o oposto: um dia de muita tristeza, aflição e desesperança. Também não consigo imaginar como será. E nem quero. Mas há quem vai experimentar a profunda angústia que esse dia vai trazer... Não sei se você faz parte do grupo que vai experimentar a visão da glória do Senhor ou o dia da angústia. Seja como for, seja qual for o time em que você joga, sugiro que você ria.  Se você não crê no relato bíblico sobre o fim dos temp...

Caminho estreito

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O tema da canção de hoje é Caminho estreito ( Artur Mendes e Ederly Pinheiro Chagas ) . De acordo com as Sagradas Escrituras , é o que conduz à vida eterna. Creia você ou não.                Um dos trechos da canção diz:                Caminho largo aponta direção                Mas no final desponta perdição... Na minha história de vida, muitas vezes optei pelo jeito mais fácil de resolver as coisas ou pelo atalho pra chegar mais rápido aonde ia. Nem sempre o jeito mais fácil era o certo ou o justo; às vezes, implicava em algum tipo de malandragem, artimanha, falcatrua. Sinto uma baita vergonha de confessar, mas confesso... Nem sempre compensava evitar o caminho mais longo. Ir pelo atalho até encurtava o tempo, mas às vezes não era o mais conveniente, implicava ir na onda dos outros, e o preço a ser pago nem sempre valia a pena. O problema é que tem ...

O que você fará?

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A reflexão   proposta pela canção  O que você fará?  é, em parte, a mesma do poema  José , de  Carlos Drummond de Andrade ...       E agora, José? A festa acabou, A luz apagou... Digo  " em parte"  p orque o Zé do texto ainda tem vida pela frente e como dar o seu jeito de recuperar o que perdeu. Mas esta música dos Vencedores por Cristo fala de uma perda total, de uma impossibilidade de fazer o que quer que seja, como nos versos abaixo:              Indo sem nada levar             Vendo sem nada esperar             Pranto sem poder voltar             Crendo sem poder mudar sua sorte             Vendo sem nada esperar             Pranto sem poder voltar ...

Levantai-vos

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Pra comentar a letra da música Levantai-vos , li de novo o livro de Neemias a fim de lembrar o que motivou aqueles homens a dizerem as palavras registradas em Neemias 9:5. A coisa tava preta pro lado de Neemias e seu povo, que estava subjugado devido às suas lamentáveis derrapadas, e o SENHOR , então, resolveu deixar eles colherem o fruto do que semearam.   Acontece muito na vida da gente, quando a coisa fica feia, a gente murmurar, se queixar e não lembrar por que as   coisas ficaram do jeito que ficaram e o que fazer pra reverter o quadro... Até compreendo a reclamação, quando se trata de algo imediato, que vai resultar em algo positivo. Ontem mesmo, numa padaria, vi um café que eu costumo comprar num pequeno mercado perto dali, onde às vezes compro por falta de opção. É um café de boa qualidade e preço um pouco superior aos de outra marca. Pois bem, o preço desse café nessa padaria costuma ser mais elevado do que no mercadinho. Mas estava mais baixo. Daí, eu peguei um...

Pescador

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A canção Pescador , de Sérgio Pimenta , me transporta de volta aos anos 1960. Desde não sei quando, gosto de pescar. Desde os oito, nove anos, não sei. Tem até marchinha de carnaval pra lembrar... Domingo é dia de pescaria , Oi, l á vou eu , de caniço e samburá, Maré tá cheia, fico na areia, Porque na areia dá mais peixe que no mar. (Haroldo Lobo / Milton de Oliveira) O caniço era um pequeno e fino pedaço de bambu , de uns 90 a 120 centímetros... Samburá, eu nem sabia o que era, aprendi depois.  Pra guardar o pescado, servia uma latinha velha, de leite em pó, óleo de soja, sei lá... No armarinho, a gente comprava náilon 10 e anzol mosquito. Às vezes, um pedacinho de chumbo também, quando a gente não arranjava com outros pescadores... A isca era camarão, que também a gente conseguia, ou aqueles caracoizinhos das pedras que tinha nas beiradas da maré. Tadinhos... Claro que pegar o peixe era divertido. Só que eu gostava mesmo era da farra. Não tava nem aí se voltaria pra cas...